Ao completar 20 anos de existência, a Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial necessita de fazer uma avaliação rigorosa do seu trabalho e projectar o futuro. Em duas décadas, a situação da arqueologia e do património industriais em Portugal alterou-se substancialmente, para a qual contribuiu de forma muito positiva a APAI, através do esforço das suas várias Direcções e de todos os associados.
Contudo, nos últimos anos temos assistido a uma estagnação no processo de sensibilização e de dinamização da sociedade portuguesa na área do património, e, sobretudo, a uma clara fragmentação e consequente enfraquecimento deste movimento. Impõe-se a reconstituição da sua unidade e fortalecimento, tendo em conta o desenvolvimento da teoria e da prática da arqueologia industrial, assim como a necessidade de travar o desaparecimento da memória patrimonial técnico-industrial, promovendo esta temática junto da sociedade portuguesa, em geral, e das instituições a ela ligadas, em particular.
Deste modo, considera-se primordial que o trabalho da Associação se desenvolva prioritariamente em quatro níveis de intervenção:
1. Desenvolver a investigação, inventariação e as iniciativas de defesa, conservação e reutilização do património técnico-industrial português;
2. Reforçar o papel da APAI no âmbito institucional, associativo e científico, a nível nacional e internacional;
3. Promover a imagem e a actividade da APAI nas suas múltiplas vertentes;
4. Adequar o funcionamento da APAI aos novos estatutos da associação.
Entende-se que estes quatro níveis de intervenção pressupõem uma relação dinâmica entre si, envolvendo os seguintes objectivos e acções específicas:
Estabelecer contactos com autarquias, empresas e outras entidades públicas ou privadas, tendo em vista a celebração de protocolos destinados ao estudo, inventariação, conservação e reutilização do património técnico-industrial;
Manter uma política orçamental rigorosa na gestão da APAI;
Captar novas fontes de financiamento, não apenas no âmbito dos protocolos com instituições públicas e privadas, mas também no apoio a projectos específicos da APAI, quer no domínio dos fundos europeus, quer no domínio da política de emprego e de formação profissional;
Lançar uma campanha de angariação de novos sócios enquadrada nos projectos da APAI e na colaboração prestada por investigadores e estudiosos ou pessoas sensibilizadas para esta área;
Promover o contacto entre os associados e estimular a troca de informações a partir dos seus interesses específicos, no quadro da Associação, nomeadamente, através da colaboração em projectos a desenvolver pela APAI;
Participar e organizar encontros científicos que promovam o conhecimento sobre a arqueologia e o património técnico-industrial, assim como o debate sobre a situação desta área científica e associativa em Portugal;
Incentivar a colaboração nas actividades da APAI de investigadores e estudiosos de áreas afins, que não sendo associados, possam contribuir para o enriquecimento desse trabalho;
Promover campanhas públicas em defesa do património industrial em risco, privilegiando a associação com outras entidades de âmbito semelhante;
Alargar e reforçar as relações inter-associativas na área do património em geral e da arqueologia industrial em particular, a nível nacional e internacional;
Estabelecer formas de colaboração com instituições universitárias, visando o estudo e a promoção da arqueologia e do património industriais;
Elaborar e divulgar material informativo sobre a actividade e o historial da APAI;
Manter a publicação da revista Arqueologia & Indústria e do website da APAI com a regularidade, a qualidade e a divulgação imprescindíveis a este projecto;
Fazer da revista Arqueologia & Indústria um espaço de debate nesta área científica, privilegiando a colaboração entre sectores complementares e criando uma rede reconhecidamente credenciada de colaboradores nacionais e estrangeiros, a nível redactorial e de consultores científicos;
Remodelar as instalações da APAI e modernizar os seus equipamentos, nomeadamente, no âmbito informático e das comunicações, em função das disponibilidades financeiras;
Criar as condições que permitam a abertura ao público do Centro de Documentação e Arquivo da APAI;
Facilitar o acesso à Biblioteca da APAI, disponibilizando condições de trabalho e de consulta adequados;
Estabelecer normas rigorosas de funcionamento dos orgãos sociais da APAI, nomeadamente, da Direcção, assim como da actividade da Associação e dos seus sócios, as quais serão divulgadas através dos meios adequados;
Criar uma Comissão Executiva, no seio da Direcção, que permita aumentar a eficácia de resposta da APAI, nomeadamente, no âmbito da gestão corrente e das relações públicas;
Obter o estatuto de instituição de utilidade pública para a APAI.
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