ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ARQUEOLOGIA INDUSTRIAL


NOTÍCIAS
 

BOLETIM ON-LINE

A Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial dispõe de um serviço regular de informação directa aos associados, sobre a actividade da APAI, notícias sobre o património industrial em Portugal e no estrangeiro, eventos, exposições e projectos.

Trata-se de um serviço por correio electrónico, exclusivamente dirigido aos associados, aos quais solicitamos a sua colaboração, no sentido de alimentar esta rede com novas informações.

Apelamos, portanto, aos sócios colectivos e individuais para que nos enviem rapidamente o seu endereço (caso ainda o não tenham feito) e coloquem em comum as referências que possuam sobre o património técnico e industrial no nosso território e a nível internacional. Pela nossa parte, tudo faremos para dar resposta às solicitações recebidas!...

Contamos com a vossa colaboração!...

 
 
 
 
S.O.S. PATRIMÓNIO
 
 
CAMPANHA DE DEFESA E SALVAGUARDA DO CONJUNTO EDIFICADO DO ENGENHO DE AÇÚCAR DO HINTON, FUNCHAL/ILHA DA MADEIRA

Alçado

Recebemos da ARCHAIS-Associação de Arqueologia e Defesa do Património da Madeira [archais@portugalmail.pt] o pedido de adesão a uma campanha pela defesa e salvaguarda do património industrial dessa ilha, que vem sendo promovida desde Maio deste ano e a cuja colaboração prestamos todo o apoio, divulgando a proposta de classificação apresentada (de cujo texto foi retirado o excerto seguinte) e movimentando a opinião pública para esta campanha.

 

Manifestando a ARCHAIS sérias preocupações na acção de preservação do conjunto edificado de interesse patrimonial do Engenho do Hinton, a juntar o interesse manifestado pela comunidade civil, somos a apresentar, de acordo com a legislação vigente, uma proposta de registo patrimonial de classificação para todo o conjunto edificado do Engenho do Hinton, com o objectivo de a Secretaria Regional do Turismo e Cultura, de acordo com a sua lei orgânica, determine a abertura do procedimento legal.

Chaminé
 

Ouvida a Assembleia Geral da ARCHAIS, em reunião última de 23 de Junho de 2001, apresentamos os seguintes critérios genéricos de apreciação:

    1. Reconhecidos os valores de memória, de autenticidade e de singularidade histórica da Fábrica do Torreão, do séc.XIX;

    2. A representatividade da indústria do açúcar para a história da Madeira e a raridade do conjunto edificado no contexto dos edifícios da Arqueologia Industrial na Madeira, a juntar a sua singularidade no contexto europeu e mundial;

    3. A relevância do conjunto para o conhecimento, investigação histórica, arqueológica e científica;

    4. O interesse formativo e pedagógico na preservação do espaço e de alguma maquinaria industrial existente, provavelmente no espírito de um “jardim do açúcar” – através de uma acção concertada entre o espaço verde proposto e os imóveis que representam a imagem edificada do Engenho;

    5. As circunstâncias susceptíveis de acarretarem a diminuição ou desaparecimento de um registo único, fonte de memória colectiva.

Colabore nesta campanha enviando uma mensagem electrónica para o Presidente da Câmara Municipal do Funchal, para o seguinte endereço:

CMF@MAIL.CM-FUNCHAL.PT

 

ou para a Presidência do Governo Regional da Madeira
Quinta Vigia
Av. do Infante, n.º 1
9004-547 Funchal
Telefone: 291 22 00 42
Fax: 291 22 44 16

 

 
 
APELO À SALVAGUARDA DO ENGENHO DO HINTON

Portugal tem vindo a adoptar, quer por sua iniciativa, quer por acordos internacionais, um importante conjunto de normas e conceitos inovadores sobre a salvaguarda e valorização do seu Património Histórico, à luz do qual alertamos para uma grave infracção cometida por parte das autoridades regionais e locais do arquipélago da Madeira ao anunciarem a demolição de um importante vestígio da História europeia do açúcar e da relação histórica deste arquipélago com o espaço europeu, o Engenho do Hinton (antiga Fábrica do Torreão).

Alguns elementos históricos que seguidamente sintetizamos sobre a referida fábrica, nomeadamente da sua inserção na evolução na economia regional e na dinâmica da industrialização europeia do século XIX, são suficientemente demonstrativos da necessidade de salvaguardar este importante monumento.

Logo após a descoberta do arquipélago da Madeira desenvolveu-se neste espaço uma economia extremamente aberta e orientada para a exportação do açúcar destinada ao Norte da Europa, onde o surgimento da urbanização suscitava novas procuras. Este facto reveste-se de grande importância no que significa de ruptura face ao funcionamento dominante da economia de então, isto é, uma certa transformação da economia de subsistência e de assistência alimentar ao Reino para uma outra movida pelo lucro mercantil; e a integração do arquipélago, relativamente autonomizada do poder do Reino, num novo espaço definido a partir de intensas relações comerciais e culturais, a Europa atlântica.

Por outro lado, à estruturação desta economia do açúcar está já associada a emergência de uma conflitualidade de interesses – nomeadamente, a tendência para a monocultura e as necessidades da agricultura diversificada; a regulação do comércio exportador pelo Rei e desejo liberal dos grandes mercadores – que configura já a dinâmica capitalista que começa a despontar noutras partes da Europa.

No século XIX ocorrerá a última revitalização da produção da cana sacarina no arquipélago, enquadrada na tendência verificada na agricultura mediterrânica para a proliferação das culturas de trabalho intensivo como solução ao subemprego ocorrido em países e regiões de forte crescimento populacional e de industrialização tardia. Na Madeira, o retorno da cana sacarina correlaciona-se com a fase descendente do ciclo do vinho, outro produto dominante na economia regional de então.

Apesar das condições orográficas e climatéricas não muito favoráveis, a cana sacarina será cultivada em sistema pequena propriedade e de policultura intensiva, servindo de matéria-prima para a indústria local que a transforma em açúcar, destinado à exportação para Portugal continental e para os Açores (na segunda metade do século), e em dois novos produtos, a aguardente e o álcool, estes dois destinados ao mercado local.

Mas, se no primeiro ciclo do açúcar era o sector mercantil o núcleo desse movimento económico, neste segundo ciclo esse papel caberá ao sector industrial, sobre o qual William H. Hinton exercerá uma influência determinante na sua estruturação e dinamismo, até ao século seguinte.

A indústria açucareira local era constituída por fábricas de moer cana e por engenhos para fabrico de aguardente e de açúcar, apetrechados essencialmente com tecnologia tradicional assente na tracção animal e na força motriz da água, embora o vapor fosse já utilizado na moenda por algumas fábricas. Tal como sucedeu a nível mundial, as inovações tecnológicas do século XIX não foram incorporadas homogeneamente por toda a indústria local, mas apenas pelas empresas com maior capacidade de investimento. Eram elas Ferraz & Irmão e W. Hinton and Sons. Esta última fundada em 1856 e proprietária da Fábrica do Torreão – designada pela população por Engenho do Hinton.

Estas fábricas tornam-se líderes na absorção das inovações tecnológicas e dos métodos de fabrico do açúcar ocorridas no século XIX, como sejam os concentradores de Bour e as máquinas centrífugas, inventadas nos anos quarenta, assim como, já no final do século, a introdução de processos químicos, o que lhes permitirá, redução de mão-de-obra, acréscimos elevadíssimos de produtividade, e grandes reduções de custos. O caminho estava, portanto, aberto à produção em grande escala, traço característico da industrialização do século XIX, que é o mesmo que dizer à formação da “grande empresa”.

E Hinton não desperdiçou a oportunidade: entre 1913 e 1915, o “Engenho do Hinton” alcançava perto de 5.000 toneladas de produção anual e uma capacidade de 500 toneladas de cana em 24 horas. Nesta altura já era monopólio. Em pouco tempo, o Engenho do Hinton ganhou renome internacional e é considerado actualmente por diversos estudiosos “um dos mais perfeitos de todo o mundo” e “uma das raras jóias da arqueologia do açúcar do século XIX ao nível mundial”.

Mas o processo de concentração da indústria local não decorre exclusivamente da capacidade de expansão do Engenho do Hinton, pois ao industrial estará também associado um dos mais estruturantes e polémicos regimes de proteccionismo em Portugal, revelador, não só, da verdadeira dimensão do Engenho do Hinton, como também da capacidade de influência política do industrial.

O proteccionismo estender-se-á a toda a economia sacarina, desde os agricultores aos industriais da aguardente, do álcool e do açúcar, e surge a pretexto de atenuar a crise do sector decorrente das doenças que afectaram a cana entre 1881 e 1885. De acordo com o regime proteccionista, os industriais beneficiariam de uma redução de direitos aduaneiros na importação de melaço para produção de aguardente, se adquirissem a cana sacarina local a preços elevados. Obviamente que o engenho do Hinton, pela sua elevada capacidade de produção, será o mais beneficiado – em 1909, absorve mais de metade da cana sacarina vendida à Indústria (Benedita Câmara, “A Economia da Madeira (1850-1914)”). Mais ainda, quando, em 1904, o processo de matrícula das fábricas torna-se restritivo, em benefício mais uma vez do Hinton.

A partir do início do século XX, este engenho terá mesmo o monopólio da produção de açúcar da Madeira, beneficiando da isenção de direitos aduaneiros na exportação para Portugal continental, embora a natureza capital-intensiva desta produção também para tal tenha contribuído.

Ao longo deste processo de proteccionismo e de concentração industrial, perpassou um debate político de âmbito nacional sobre a legitimidade dos benefícios atribuídos ao Hinton, o que não impediu aos regimes monárquico e republicano de, embora com reformulações, reiterarem os seus fundamentos.

Outro dado relevante sobre a importância histórica desta fábrica refere-se a um conjunto de regalias sociais dos trabalhadores que surge na segunda revolução industrial inglesa e que Hinton implementará nos contratos com os operários da sua fábrica. São disso exemplo, os níveis salariais acima da média nos meses de maior laboração, certas pensões de viuvez e dois quartos reservados no Hospital para os operários que deles necessitassem.

Por conseguinte, o Engenho do Hinton não só está profundamente associado à histó-ria do Açúcar da Madeira, como também, é um reflexo das dinâmicas económicas e políticas da Europa do século XIX, em particular, das mutações do processo de indus-trialização e do sistema capitalista ocorridas nessa época que são determinantes para a compreensão do mundo contemporâneo.

Assim sendo, e tendo presente os valores de memória, de autenticidade e singularidade histórica, a juntar a representatividade da Indústria do açúcar para a História e Património Cultural da Madeira e da Europa, várias personalidades têm vindo a alertar para a urgência de preservar a secular fábrica – provavelmente, o único vestígio na Madeira das primeiras Revoluções Industriais.

Contudo, a Câmara Municipal do Funchal projectou um jardim para a zona da fábrica, pelo que a ARCHAIS apelou para que o projecto do jardim integrasse as estruturas arquitectónicas relevantes e a maquinaria industrial ainda existente. Em simultâneo, solicitámos ao Governo Regional a classificação patrimonial da referida fábrica.

Esta proposta teve grande aceitação popular, em virtude também da campanha que desenvolvemos, e que incluiu a subscrição de propostas – todas no sentido da reabilitação - e a participação em inquéritos promovidos pela comunicação social.

Contudo, mais recentemente, o Governo Regional da Madeira anunciou nos órgãos de comunicação social a demolição de todo o conjunto edificado, à excepção da chaminé (Diário de Notícias da Madeira (www.dnoticias.pt) de 13 de Setembro de 2002), e já abriu concurso para o efeito (Resolução n.º 1377/2002).

A intenção de demolição de todo o conjunto edificado com excepção da chaminé, está a preocupar seriamente esta Associação e toda a comunidade que participou activamente na promoção da campanha, não só pela perda irreversível para a memória da História europeia, como também pelo que tal significa de desrespeito do quadro normativo europeu, nacional e regional, em matéria de preservação e salvaguarda do património cultural.

Como se constata, a presente intenção de demolição do engenho do Hinton, para além de contrariar os objectivos e preocupações da Comunidade Internacional neste domínio, desconsidera a Convenção Europeia para a Protecção do Património Arquitectónico, de que Portugal é signatário, bem como as concepções da União Europeia e do Conselho da Europa sobre o nosso património comum.

Apelamos, pois, a todos os cidadãos que, no uso dos seus direitos de cidadania, sensibilizem as autoridades regionais e locais para a necessidade de reflectirem as normas e princípios em matéria de salvaguarda do património histórico nas suas decisões sobre o “Engenho do Hinton”, nomeadamente preservando as estruturas arquitectónicas (ver anexo), da fachada para a Rua 31 de Janeiro, da chaminé e da maquinaria existente. Este núcleo patrimonial, além do seu interesse científico, pedagógico e turístico, em nada se incompatibiliza com a existência de um espaço verde na mesma zona.

ANEXO

Caracterização arquitectónica

O conjunto edificado do Engenho do Hinton apresenta uma linguagem arquitectónica sóbria característica do século XIX no espírito da arquitectura neo-clássica.

Destaca-se a fachada principal virada para a Rua 31 de Janeiro, de aspecto contido e com molduras de cantaria cinzenta regional à volta das janelas e portas. Destaca-se, também, na mesma fachada, um autêntico exemplar de um relógio da época da “revolução industrial” e um interessante candeeiro em ferro forjado.

O complexo industrial oitocentista compreende ainda um conjunto de dependências construtivas que funcionaram como escritórios e serviços administrativos.

Todo o conjunto é construído em alvenaria e ferro forjado, observando-se também varandas com alpendre. Realça-se do conjunto a imponente chaminé em tijolo.

Texto da autoria de:

Archais - Associação de Arqueologia e Defesa do Património da Madeira
Sítio do Povo, Vereda do Povo 9100-045 Gaula Santa Cruz - Madeira - Portugal
Tel./Fax. 291 526581 Telm. 96 2814788 / 96 8207627 / 96 7056638
Correio electrónico: archais@portugalmail.pt
Secção de Machico – Sítio dos Maroços, 9200 Machico Telefax 291 967953

 
 
 
ÚLTIMOS GASÓMETROS EM PORTUGAL E FÁBRICA DA MATINHA (LISBOA) EM RISCO DE DEMOLIÇÃO

Em 29 de Novembro de 2000, a Câmara Municipal de Lisboa deliberou iniciar o processo relativo ao Plano de Urbanização da Zona Ribeirinha Oriental (PUZRO), tendo já sido aprovados os Termos de Referência (disponíveis na página InforLisboa - http://ulisses.cm-lisboa.pt/puzro/oriente.htm).

Neste documento prevê-se que o Plano “deverá conter um levantamento exaustivo do património edificado, que se considere dever ser preservado, não o limitando ao constante do Inventário Municipal do Património, mas recolhendo informação de outras fontes e procedendo a observações locais. Com excepção daquele que não possa ser mantido por fortes razões urbanísticas, deverão ser sugeridas acções que permitam a recuperação e a manutenção do património edificado, como sejam a antiga sede do INDEP e Tabaqueira entre outros.”

Por outro lado, embora se preveja que o PUZRO obedeça ao Plano Director Municipal, com eventuais ajustamentos (nomeadamente, nos limites dos espaços), altera-se desde já a classificação de “área de investigação e tecnologia” enquadrando-a nas “áreas industriais actualmente em processo de degradação”.

Ora, acontece que o vasto espaço ocupado pela Fábrica de gás da Matinha se insere precisamente nesta situação, tendo a empresa proprietária “Galp Energia” elaborado um projecto imobiliário para o local. Parecem, assim, preenchidas as condições para que seja destruída a última grande unidade de produção de gás existente em Portugal e os seus monumentais gasómetros!

A APAI considera imprescindível um amplo debate sobre o futuro Plano e reivindica a participação nesse debate, assim como nos estudos preparatórios necessários à fundamentação do processo, nomeadamente, a inventariação do património industrial. Nesse sentido, a Associação tem vindo a encetar todos os esforços para se manter a par do processo e intervir nas formas e nos tempos considerados mais adequados, sem prescindir do seu direito à indignação e ao protesto pelo desprezo da memória histórico-industrial da cidade de Lisboa.

Não pode voltar a acontecer uma nova “Torre Galp”, pretenso “monumento público” do espaço da “Expo”, peça isolada e descontextualizada de um museu eternamente adiado! A seriedade e pertinência dos projectos museológicos já apresentados para a Fábrica da Matinha, justificam o investimento necessário e a conjugação de esforços das entidades envolvidas, se não bastasse a importância histórica da indústria do gás nos últimos dois séculos!...

 

[VER O ARTIGO PUBLICADO NA REVISTA "ARQUEOLOGIA & INDÚSTRIA"]

 
 
 
FÁBRICA DE AÇÚCAR DE ALCÂNTARA (LISBOA) AMEAÇADA!

Segundo informação publicada nos órgãos de informação, o Grupo SIL e o Grupo Espírito Santo, através da ESAF-SGFII, terão adquirido o terreno da antiga Fábrica da “Sidul” em Alcântara, actualmente albergando pequenas empresas de serviços desde a desactivação da unidade industrial há cerca de 6 anos.

De acordo com as mesmas informações, o terreno destina-se a um empreendimento misto de habitação, escritórios e serviços. Depois do mega-projecto imobiliário na antiga Fábrica da CUF das Fontainhas (em vias de conclusão), anuncia-se já nova intervenção nesta característica área industrial da cidade de Lisboa, ameaçando desvirtuar completamente as origens e desenvolvimento deste espaço urbano ao longo dos últimos 150 anos. Lembramos a luta que vem sendo travada pela APAI, desde a sua fundação, para salvaguardar a zona de Alcântara e que passou por diversos trabalhos de estudo, inventariação e divulgação do seu património.

O complexo de refinação da antiga "Sociedade Portuguesa de Açúcares" foi projectado em 1907, com entrada pela Av.da Índia, tendo sido objecto de sucessivas ampliações, como é habitual neste tipo de construção, a primeira das quais e mais significativa se concretizou em 1909, dando origem à celebrada visita real com que se inaugurou a inovadora unidade industrial.

Nestas instalações predomina a arquitectura de tijolo, típica da tipologia industrial, assim como a estrutura metálica, sendo preocupante a conservação dos equipamentos respectivos, que os participantes nacionais e estrangeiros nas "II Jornadas Ibéricas do Património Industrial" tiveram oportunidade de ainda ver em funcionamento numa visita realizada no dia 25 de Fevereiro de 1994.

 
 
  UM PROJECTO DE MUSEU TÊXTIL VIVO EM CASTANHEIRA DE PÊRA

Castanheira de Pêra é um pequeno concelho do nordeste do distrito de Leiria, junto à Serra da Lousã, que outrora foi uma terra próspera, consequência do surto de desenvolvimento industrial que ali se operou a partir dos anos 60 do século XIX.
Com as transformações industriais verificadas na última década do séc.XX, a indústria de lanifícios declinou em Portugal, como na Europa. Castanheira de Pêra, que foi considerado o terceiro centro de lanifícios do país, caíu rapidamente e hoje só mantém três fábricas em laboração.
Conscientes das dificuldades, a Câmara Municipal e os agentes sociais residentes estabeleceram um projecto integrado de desenvolvimento, que ao mesmo tempo que revitalizaria o sector têxtil, aproveitando as potencialidades da "Lei Mateus", congregava sinergias endógenas, municipais e regionais.
Este plano foi aprovado em 27 de Fevereiro de 1997 pelo GACRE - Gabinete de Apoio à Recuperação de Empresas (estrutura do Ministério da Economia), mais tarde extinto aquando da substituição do Ministro Augusto Mateus pelo actual Ministro Pina Moura.
Neste plano era retomada uma proposta antiga de criação de um museu vivo, através da utilização de uma fábrica fundada em 1874 - a "Fábrica da Várzea", na qual existe um conjunto de verdadeiras peças de arqueologia industrial, com a vantagem de terem trabalhado até 1997. Constituem um acervo que não só pode ser uma lição de história da indústria de lanifícios, com importante função pedagógica, mas também uma unidade museológica viva, com o homem a produzir os artigos considerados adequados aos meios e aos objectivos actuais.
É esta fábrica têxtil e esta proposta de criação de um museu vivo, que se pretende dinamizar a partir do interesse da comunidade científica, tendo por objectivo uma urgente intervenção, para que não se perca aquela importante memória da nossa indústria.

 

AS FÁBRICAS DE LANIFÍCIOS DE CASTANHEIRA DE PÊRA

 

(Kalidás Barreto e Ana Leonor Cleto Cravino)

 





| home |

| apresentação | estatutos | corpos
gerentes
| serviços | projectos | publicações | arquivo | como aderir | agenda | revista |

| internacional | e-faith | património
internacional
| organizações
nacionais
| património
nacional
| museus | e-mail |